
O silêncio
Não há nada de errado com a ausência de som, ou o silencio. Parece assustador ou libertador quem sabe? A questão nunca é o que é? Mas sim para quem é? Para quem observa esse silencio.
Sabemos que a mente dualista e centro egoíca, a qual somos todos obrigados a ter e representar gosta de constante alimentação e ação, e o silencio ou a ausência de estímulos exteriores pode contrariar essa tendência ou não.
Por outro lado, o facto de poder ser imensamente libertador a ausência de estímulos exteriores a impactar em nós de formas pesadas ou mesmo toxicas, e o silencio pode ser aquele pequeno momento de respirar fundo ou simplesmente olhar para dentro de nós.
Devemos todos sem exceção, na minha opinião, testar os nossos silêncios e entender em sensações, pensamentos, emoções, fisicalidades, ideias, etc…que vamos tendo, o que está a ocorrer dentro de nós mesmos. De que outra forma podemos entendermo-nos de facto?
Se sentir desconforto no silencio, não se apresse a “catalogar-se” como falha ou deficiência sua! Não se trata disso. Trata-se de uma desconexão global, um mimetismo coletivo ao qual estamos a ser sujeitos a seculos. Porque estamos programados de algum modo a entender que tudo o que precisamos vem de fora de nós. Começando no processo de infância, e estendendo-se ao longo de vidas. Sim escrevi vidas.
Portanto insista em ter momentos isolados de estímulos ou distrações, resista a tentação de estar sempre em distração exterior. Deste modo, parecendo não estarmos a fazer nada de mais e passando a “Linha imaginaria do aborrecimento”, entramos em conexão com nós mesmos. Passamos a ter acesso as sensações físicas, emocionais profundas, etc… que apesar do leitor@ achar ter acesso já agora, garanto que não é nem de perto 1 terço do que realmente poderia sentir. Relembro que alguns de nós estamos desconectados da realidade, e nos dias que se apresentam, tendencialmente mais.
Se por outro lado se sente confortável em estar no silencio, quer seja sozinh@ ou acompanhad@, então junte um olhar pelo seu corpo, reconheça-o, perceba o seu estado e abra mais espaço para reconhecer e descobrir ainda mais. Faça o mesmo em relação as ideias ou imagens, veja e deixe a “pagina” mental sair voltando ao silencio. Foco na ausência do som e estímulo, quer seja mental ou exterior, deixe ir simplesmente.
